sexta-feira, 13 de maio de 2011

SONHO III

Nessa noite de jaspe azul marinho
As negras cortinas encobrem as estrelas do céu
E a turva luz dessa sala
Traz meu sombrio amor
A quem sirvo vinho
E me retribuiu com dor e fel.

A um canto da sala
Uma garotinha me chama
Se parece comigo; cabelos pretos, vestido rodado e liso.
Porém, sinto nela meiguice
E isso eu já perdi.

Me dizia tantas palavras
Com a explicação de um professor
Sempre atenta e educada
E meus ouvidos não escutavam nada
Só via seus lábios se movimentarem
Como formigas num corredor.

Percebendo que nada entendia
Saímos daquela sala vazia.
Levou-me a um quarto com tão pouca luz
Que era como se uma alma ali velasse.

Desapareci por uma pequena cortina
Onde tudo, menos eu era fantasia.

E reapareci naquela cama
Alta, escura, jazida num corpo velho
Envolta a enfeites que se escureciam com tanta dor.

Chamei a pequena garota ao lado da cama
E com uma canção desesperada
Entoei aos pequenos olhos
Ainda alegres por nada:
-Eu não sou ninguém, ninguém, ninguém.
(Giselle Maria)

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