As negras cortinas encobrem as estrelas do céu
E a turva luz dessa sala
Traz meu sombrio amorA quem sirvo vinho
E me retribuiu com dor e fel.A um canto da sala
Uma garotinha me chama
Se parece comigo; cabelos pretos, vestido rodado e liso.
Porém, sinto nela meiguice
E isso eu já perdi.
Me dizia tantas palavras
Com a explicação de um professor
Sempre atenta e educada
E meus ouvidos não escutavam nada
Só via seus lábios se movimentarem
Como formigas num corredor.
Percebendo que nada entendia
Saímos daquela sala vazia.
Levou-me a um quarto com tão pouca luz
Que era como se uma alma ali velasse.
Desapareci por uma pequena cortina
Onde tudo, menos eu era fantasia.
Alta, escura, jazida num corpo velho
Envolta a enfeites que se escureciam com tanta dor.
E com uma canção desesperada
Entoei aos pequenos olhos
Ainda alegres por nada:-Eu não sou ninguém, ninguém, ninguém.
(Giselle Maria)

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