quinta-feira, 11 de agosto de 2011

ABRO A JANELA

Abro a janela e me jogo mesmo!
A paisagem é deslumbrante
E meu corpo quer ser água, flor
Qualquer coisa que pulse por aí
Fazer da minha pele toda essa parte
...Às vezes bicho, às vezes árvore
Não quero só espiar desse lado
Fecho os olhos e lá vou eu a flutuar
Que os campos verdes me abracem
E façam da minha calma queda:
O eterno se apaixonar!
(Giselle Maria)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

A POESIA QUE NUNCA FOI MINHA


Ontem reli os poemas
E Maia, a deusa
Disse-me que nada era meu.
"...Ilusão, ilusão, veja as coisas como elas são..."

Então, com os olhos limpos pelo mar
Olhei-os com a transparência da água
E não me vi!
Não era eu!
Eu não sou assim!

Claro, que todos queremos ter um retrato
Poético do nosso ser
Mas, os poetas escrevem seus seres,
Seu mundo.
E quem lê rejeita o ser poeta
E o poeta recusa o ser leitor.

Vi latejar o significado
Por detrás de cada frase
Senti o pulso por ele mesmo.
Agora, só leio com os olhos de fora
Nada teu envolve ou ri.

Fechei o poeta
E comecei a me ver,
Sentir minha própria ilusão
E aqui escrevo
Não para ninguém
Mas, para mim!
(Giselle Maria)

sábado, 14 de maio de 2011

RITUAL

 
 
Na hora em que poções se iluminam,
Ancestrais crescem nas auroras,
Pássaros encantados entoam melodias Andinas,
...Peixes brilham em cardumes nos oceanos
No momento em que as salamandras se alinham,
A lua tomada de líquido pulsa no corpo com um belo sorriso,

No segundo da roda Xamânica,
Do Palo Santo, do Mantra,
No instante da evocação do animal de poder,
Em meio a gatos, fogo, incenso, corujas;
Eu me desperto para o Ritual:
O feminino que há em meu ser.
(Giselle Maria)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

SONHO I

Num belo castelo a me esperar
Anfitriões e convidados
Conversavam ansiosos
Para me ouvirem cantar.

A luz daquele salão
Era nítida como o sol
E as cores das colunas
Dançavam em tons de tronco
E cor de rosas de algum quintal

Meu vestido me apertava
Era grande como um balão
E sentada a frente deles
Era tudo desconfortável
Formalidade mais moral social 
É igual a dor nas costas
Por tanta postura.

A Rainha sentada ao lado do rei 
O abraçava, ostentando a mim
O amor que eu precisava
E com um olhar irônico me mostrava
Que tudo aquilo poderia eu ter

Cantei como se cantam os pássaros;
Livres, soltos, exaltantes
Num galho, em outro
Apenas cimprindo sua tarefa na terra;
Cantar, não há o que pensar
Só ser.

Daquela noite, apenas a luz como ouro ficou em mim.
(Giselle Maria)

SONHO II

Era nosso primeiro dia naquele castelo
Olhamos aquele jardim banhado
Por árvores frutíferas que tinha como proeminente; carambolas.
Por ser outono, o chão parecia ouro com tantas folhas douradas
Deitadas no chão.

Na família, tinha-se três irmãs.
Eu me esforçava para fazer parte delas
Cuidava de seus cabelos como se rega flores
E as beijava como se ama os bichos.

Ao adentrar naquele castelo com tantas pedras.
Ouviu-se uma bela canção que vinha de todos os espaços
Ali, a música não cessava.

E rimos alto de tanta alegria
Pois cantaríamos e dançaríamos sempre!
E lá fora deitaríamos entre as folhas
Para se ouvir o silêncio.

Ao chegar no primeiro quarto
Encontramos roupas com cheiro de saudade
E fotos com aroma de morte.

E ao som da música sem fim
Olhamos o álbum, a família que ali morava
E todos seus membros mesmo sentados
Tinham a boca cerradas e os ilhos fechados.
(Giselle Maria)

SONHO III

Nessa noite de jaspe azul marinho
As negras cortinas encobrem as estrelas do céu
E a turva luz dessa sala
Traz meu sombrio amor
A quem sirvo vinho
E me retribuiu com dor e fel.

A um canto da sala
Uma garotinha me chama
Se parece comigo; cabelos pretos, vestido rodado e liso.
Porém, sinto nela meiguice
E isso eu já perdi.

Me dizia tantas palavras
Com a explicação de um professor
Sempre atenta e educada
E meus ouvidos não escutavam nada
Só via seus lábios se movimentarem
Como formigas num corredor.

Percebendo que nada entendia
Saímos daquela sala vazia.
Levou-me a um quarto com tão pouca luz
Que era como se uma alma ali velasse.

Desapareci por uma pequena cortina
Onde tudo, menos eu era fantasia.

E reapareci naquela cama
Alta, escura, jazida num corpo velho
Envolta a enfeites que se escureciam com tanta dor.

Chamei a pequena garota ao lado da cama
E com uma canção desesperada
Entoei aos pequenos olhos
Ainda alegres por nada:
-Eu não sou ninguém, ninguém, ninguém.
(Giselle Maria)

SONHO IV

Pela estrada real real
Contornada por eucaliptos e pinheiros
Chegamos a Serra.

Desci do carro
E a frente, no alto do morro íngrime
Uma casa em estilo gótico.


Linda era!
Mas, poucas janelas
Um vitral de rosáceo para a luz entrar
E muitas escadas para nessa arquitetura chegar.

A figura masculina ao meu lado disse:
-É aqui que iremos morar!


Tens a beleza da casa
O aroma fresco  das árvores
O silêncio das manhãs
E o conforto do lugar como prêmio.

Mas, todos os dias
Viverás na expectativa do morro desabar,
Da casa esfarelas e do sonho desaparecer.
(Giselle Maria)