sexta-feira, 20 de maio de 2011

A POESIA QUE NUNCA FOI MINHA


Ontem reli os poemas
E Maia, a deusa
Disse-me que nada era meu.
"...Ilusão, ilusão, veja as coisas como elas são..."

Então, com os olhos limpos pelo mar
Olhei-os com a transparência da água
E não me vi!
Não era eu!
Eu não sou assim!

Claro, que todos queremos ter um retrato
Poético do nosso ser
Mas, os poetas escrevem seus seres,
Seu mundo.
E quem lê rejeita o ser poeta
E o poeta recusa o ser leitor.

Vi latejar o significado
Por detrás de cada frase
Senti o pulso por ele mesmo.
Agora, só leio com os olhos de fora
Nada teu envolve ou ri.

Fechei o poeta
E comecei a me ver,
Sentir minha própria ilusão
E aqui escrevo
Não para ninguém
Mas, para mim!
(Giselle Maria)

sábado, 14 de maio de 2011

RITUAL

 
 
Na hora em que poções se iluminam,
Ancestrais crescem nas auroras,
Pássaros encantados entoam melodias Andinas,
...Peixes brilham em cardumes nos oceanos
No momento em que as salamandras se alinham,
A lua tomada de líquido pulsa no corpo com um belo sorriso,

No segundo da roda Xamânica,
Do Palo Santo, do Mantra,
No instante da evocação do animal de poder,
Em meio a gatos, fogo, incenso, corujas;
Eu me desperto para o Ritual:
O feminino que há em meu ser.
(Giselle Maria)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

SONHO I

Num belo castelo a me esperar
Anfitriões e convidados
Conversavam ansiosos
Para me ouvirem cantar.

A luz daquele salão
Era nítida como o sol
E as cores das colunas
Dançavam em tons de tronco
E cor de rosas de algum quintal

Meu vestido me apertava
Era grande como um balão
E sentada a frente deles
Era tudo desconfortável
Formalidade mais moral social 
É igual a dor nas costas
Por tanta postura.

A Rainha sentada ao lado do rei 
O abraçava, ostentando a mim
O amor que eu precisava
E com um olhar irônico me mostrava
Que tudo aquilo poderia eu ter

Cantei como se cantam os pássaros;
Livres, soltos, exaltantes
Num galho, em outro
Apenas cimprindo sua tarefa na terra;
Cantar, não há o que pensar
Só ser.

Daquela noite, apenas a luz como ouro ficou em mim.
(Giselle Maria)

SONHO II

Era nosso primeiro dia naquele castelo
Olhamos aquele jardim banhado
Por árvores frutíferas que tinha como proeminente; carambolas.
Por ser outono, o chão parecia ouro com tantas folhas douradas
Deitadas no chão.

Na família, tinha-se três irmãs.
Eu me esforçava para fazer parte delas
Cuidava de seus cabelos como se rega flores
E as beijava como se ama os bichos.

Ao adentrar naquele castelo com tantas pedras.
Ouviu-se uma bela canção que vinha de todos os espaços
Ali, a música não cessava.

E rimos alto de tanta alegria
Pois cantaríamos e dançaríamos sempre!
E lá fora deitaríamos entre as folhas
Para se ouvir o silêncio.

Ao chegar no primeiro quarto
Encontramos roupas com cheiro de saudade
E fotos com aroma de morte.

E ao som da música sem fim
Olhamos o álbum, a família que ali morava
E todos seus membros mesmo sentados
Tinham a boca cerradas e os ilhos fechados.
(Giselle Maria)

SONHO III

Nessa noite de jaspe azul marinho
As negras cortinas encobrem as estrelas do céu
E a turva luz dessa sala
Traz meu sombrio amor
A quem sirvo vinho
E me retribuiu com dor e fel.

A um canto da sala
Uma garotinha me chama
Se parece comigo; cabelos pretos, vestido rodado e liso.
Porém, sinto nela meiguice
E isso eu já perdi.

Me dizia tantas palavras
Com a explicação de um professor
Sempre atenta e educada
E meus ouvidos não escutavam nada
Só via seus lábios se movimentarem
Como formigas num corredor.

Percebendo que nada entendia
Saímos daquela sala vazia.
Levou-me a um quarto com tão pouca luz
Que era como se uma alma ali velasse.

Desapareci por uma pequena cortina
Onde tudo, menos eu era fantasia.

E reapareci naquela cama
Alta, escura, jazida num corpo velho
Envolta a enfeites que se escureciam com tanta dor.

Chamei a pequena garota ao lado da cama
E com uma canção desesperada
Entoei aos pequenos olhos
Ainda alegres por nada:
-Eu não sou ninguém, ninguém, ninguém.
(Giselle Maria)

SONHO IV

Pela estrada real real
Contornada por eucaliptos e pinheiros
Chegamos a Serra.

Desci do carro
E a frente, no alto do morro íngrime
Uma casa em estilo gótico.


Linda era!
Mas, poucas janelas
Um vitral de rosáceo para a luz entrar
E muitas escadas para nessa arquitetura chegar.

A figura masculina ao meu lado disse:
-É aqui que iremos morar!


Tens a beleza da casa
O aroma fresco  das árvores
O silêncio das manhãs
E o conforto do lugar como prêmio.

Mas, todos os dias
Viverás na expectativa do morro desabar,
Da casa esfarelas e do sonho desaparecer.
(Giselle Maria)
 
 
 

SUA BELEZA É COMO
UMA MANHÃ BANHADA
POR IPÊS AMARELOS, PINGOS DE OURO, DÁLIAS DOURADAS.
TENS O CORPO LONGO E ESGUIO
COMO OS RIOS, ONDE DESCANSAM PÁSSAROS E PEIXES.
...

ÉS ÁGUA E TERRA
UM SER HETEROGÊNEO
PULSAS COMO UM RAIO DE SOL
E DAQUI DEBAIXO ME PERGUNTO:
QUAL ELEMENTO TE SUSTENTA?

HÁ EM SEUS CABELOS
O ACONCHEGO DAS NUVENS
E EM SEU SORRISO UM PEDAÇO DE MAÇÃ
ENTRE TODOS OS SEUS CAMINHOS
UM ME LEVA A VOCÊ;
A DOÇURA.


(Giselle Maria)

SER LIVRE


Quando nascemos, o único vício que temos é o da dependência.
É necessário ter o outro para sua própria existência, ver-se, analisar-se atráves do que te rodeia.
Isso sim, isso não...Criamos uma dependência física e moral nem sempre condizente com nossa essência que mascaramos para pode viver ao que chamamos de cultura.
Tudo o que é não é...
cultural é ilegal! Há um prazer maior do que "instinto"? E existe uma palavra mais abominada desde que o Cristianismo começou a existir?!
Nele não se pensa, se sente.
Por isso a arte existe. Para colocar o homem em seu devido lugar...No ato de simplesmente ser!
Ela nos salva da cura moral, nos liberta das teias que o mundo cria em volta de nós, ela é nossa salvação.
Deus não criou o certo e o errado. O homem sim. Esse precisou de coligações para construir, sentiu a necessidade da sociedade, e para tê-la a forma mais fácil foi construir regras para uma melhor manipulação, sempre voltada para o seu bem estar, claro!
Estamos numa época em que o puritanismo ganhou um ápice tão grande, onde o vizinho não pode nem saber que dentro da sua casa você diz um belo palavrão, pois é provável não ser aceito. Demorou tanto para se engenhar uma imagem correta que um "PUTA QUE PARIU" pode desabar o edifício.
Acredito na busca da essência e no encontro dela.
"O HOMEM ESTÁ CONDENADO A SER LIVRE!!!!" Já disse o imaginário Sartre que nos pôs cara a cara com a nossa casa interior.
Fim do mundo em 2012 só se for para as pessoas mal educadas, sem compaixão, arrogantes e prepotentes que não veem que todos estamos no mesmo caminho: EXISTIR. E isso é tarefa para poucos. Para se existir é preciso se sentir e para se sentir é preciso se ver e para se ver é preciso olhar o mundo com os olhos da alma e somos feitos da mesma matéria que esses olhos. A maioria vê o outro com o olho do ânus! (não vou dizer o sinônimo popular, pois é provável que algumas pessoas não terminem de ler o texto...rsrs)
Hoje, comemoro 1 ano de libertação, dessas que a gente adquiri em meio aos anos, porém, a loucura dela ainda vive em mim, só que sem amarras nos pés. Ela pode ir e voltar a hora que quiser e até dormir é permitido.
Mais do que nunca é preciso se LIBERTAR!!!!!
(Giselle Maria)